O Cavaleiro Inexistente de Ítalo Calvino

Editora: Edusc | Autor: Stefania Chairelli

O Cavaleiro Inexistente de Ítalo Calvino
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O Cavaleiro Inexistente de Ítalo Calvino
Stefania Chairelli
Editora Educs

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APRESENTAÇÃO
Com uma bela armadura, de um branco sem mácula, um paladino ganha notoriedade em meio às escaramuças da época de Carlos Magno. Nada de mais, não fosse o fato de
que o dito cavaleiro é dotado de consciência e voz, mas sua armadura está vazia. O cavaleiro é inexistente. O relato das aventuras desse guerreiro, escrito por Italo Calvino, em 1959, é analisado por Stefania Chiarelli, neste ensaio, como uma alegoria da situação existencial do homem contemporâneo.
O estudo permite ao leitor um reencontro com um dos ficcionistas mais significativos do século XX, autor de Os
nossos antepassados, trilogia de que faz parte O cavaleiro inexistente, uma reciclagem de figuras da literatura medie-val que fala de questões da atualidade.
Entre 1985 e 1986, ao proferir as célebres conferências Norton, na Universidade de Harvard, Calvino fez sua
profissão de fé no futuro da literatura ao reconhecer que há coisas que só ela, com seus meios específicos, nos pode dar.
Nessa oportunidade, propôs, como princípios que deveriam orientar o texto literário, a leveza, a rapidez, a exatidão, a visibilidade, a multiplicidade e a consistência.
Tal é o testamento artístico de Italo Calvino, relação de qualidades estéticas que não são independentes de posições
existenciais. Sabe-se que não existe gratuidade em nenhuma escolha, e os admiradores de Calvino hão de perceber como Stefania Chiarelli, leitor a inteligente e sensível do autor italiano,
absorveu as qualidades do escritor que analisa e refletiu-as no estudo que dedica a uma de suas obras. A reflexão acadêmica e a leitura crítica, que ganham forma neste ensaio, têm asseguradas as características de leveza, brevidade, consistência, sem que a autora incorra em nenhuma concessão que possa diminuir o rigor da análise. É escassa, no Brasil, a produção crítica referente ao grande autor italiano. Mais raro, ainda, é o enfoque dessa que é a terceira narrativa da chamada trilogia heráldica de Calvino. A literatura italiana, a despeito de sua grande im-portância na constituição do patrimônio literário universal, é pouquíssimo estudada nas universidades brasileiras. Essa já é razão suficiente para que o trabalho de Stefania seja bem-vindo. Mas, com certeza, há muitas outras que o leitor irá descobrindo ao longo do texto. A análise que a autora processa apresenta duas dimensões. Uma é intratextual e volta-se à relação que se estabelece entre as personagens, ao estatuto do narrador, ao caráter alegorizante da narrativa. A outra, intertextual, situa a obra de Calvino em uma tradição literária universal – de que fazem parte nomes como Cervantes, Shakespeare, Voltaire, Rabelais, Guimarães Rosa – e em uma linhagem italiana integrada por autores como Ariosto, Boccaccio, Machiavelli, Leopardi, Pirandello.
O título do ensaio privilegia a primeira dimensão. Contudo, no desenvolvimento do texto, e a despeito de o trabalho dar conta da decifração alegórica, a segunda dimensão ganha predominância, fazendo eco à afirmação de Julia Kristeva de que todo texto se constrói como um mosaico de citações. Sem escapar do desafio em que consiste, hoje, ler Ariosto em italiano medieval, Stefania realiza neste trabalho uma verdadeira leitura de palimpsesto que, além de revelar a relação incestuosa – “palimpsestuosa” – existente entre os diversos relatos literários, comprova o talento de uma analista literária jovem e madura.
Ligia Cademartori Brasília, 1998





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